Decisões proibiram exibição de púlpito vazio e formulação de perguntas que seriam a Lula, bem como impuseram participação de Renan Santos
Com O Globo
As principais associações de imprensa do país se manifestaram na noite desta quinta-feira após o cancelamento do debate presidencial da TV Globo. Em nota conjunta, a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), a Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ) externaram “profunda indignação” com a "intervenção judicial nas regras previamente definidas" que levou ao cancelamento do evento.
As entidades se referem à decisões da ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que proibiu a exibição de um púlpito vazio com o nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que não iria ao debate, bem como a formulação de perguntas que seriam feitas ao petista. Em seguida, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a participação do candidato Renan Santos (Missão) no encontro.
As entidades afirmam que as decisões representam uma "agressão à liberdade de imprensa" por "forçar a condução do debate em desrespeito a regras acordadas há meses entre a emissora e os partidos".
As entidades também dizem que os "excessos judiciais" prejudicaram o direito dos eleitores de conhecer as propostas dos candidatos que já haviam sido convidados e haviam confirmado participação no debate.
Veja a nota completa
NOTA OFICIAL
A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT), a Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ) se solidarizam com a TV Globo e manifestam profunda indignação com a intervenção judicial nas regras previamente definidas que levou ao cancelamento do último debate presidencial do primeiro turno.
As entidades entendem que a interferência não se trata apenas de uma imposição de obrigações, sem previsões em lei, contra uma emissora privada. É, sobretudo, uma agressão à liberdade de imprensa ao forçar a condução do debate em desrespeito a regras acordadas há meses entre a emissora e os partidos.
Infelizmente, os excessos judiciais atropelaram o direito de os cidadãos terem acesso às propostas dos candidatos que, conforme prevê a lei eleitoral, já tinham sido convidados e se dispuseram a participar do debate.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE EMISSORAS DE RÁDIO E TELEVISÃO (ABERT)
ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE EDITORES DE REVISTAS (ANER)
ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE JORNAIS (ANJ)
Por Edson Rodrigues
Na reta final da campanha eleitoral no Tocantins, o deputado federal Eli Borges (Republicanos) chega às urnas buscando consolidar uma característica que procurou deixar clara durante toda a disputa pelo Senado: sua identificação com a direita e seu apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República.
Eli Borges disputa uma das duas vagas do Tocantins no Senado com o número 100. Deputado federal desde 2019 e com uma trajetória política que inclui mandatos de vereador de Palmas e deputado estadual, o parlamentar construiu sua campanha combinando a apresentação de seu trabalho político com pautas conservadoras, defesa da família, liberdade religiosa e críticas ao atual governo federal.
Nas últimas semanas, essa identidade ganhou ainda mais espaço. A campanha passou a buscar apoio de lideranças nacionais ligadas à direita e ampliou a presença de temas nacionais em seus discursos e redes sociais. O próprio material oficial da candidatura apresenta Eli como um candidato “cristão de direita” e estabelece uma associação direta entre sua candidatura ao Senado e a de Flávio Bolsonaro à Presidência.
Ao contrário de uma estratégia de moderação ideológica na reta final, Eli optou por explicitar suas posições. Em atos anteriores da campanha, chegou a afirmar: “Eu não fiquei em cima do muro em Brasília, sou direita e votei com a direita”.
Essa postura também aparece em sua oposição à reeleição do presidente Lula. Eli responsabiliza o atual governo por problemas econômicos enfrentados pelas famílias brasileiras e apresenta uma eventual eleição de Flávio Bolsonaro como alternativa política para o país. Trata-se de uma posição assumida pelo próprio candidato e transformada em um dos eixos de sua campanha.
Último comício
Nesta quinta-feira (1º), durante o último comício da coligação na região Sul de Palmas, Eli Borges dividiu o palanque com a candidata ao Governo do Tocantins, Professora Dorinha, e outros aliados.
Em sua fala, voltou a apresentar a disposição para defender suas posições caso seja eleito para o Senado. “Contem com o deputado Eli Borges, tenho coragem de enfrentar a batalha contra os poderosos da nação”, afirmou.
O candidato também procurou relembrar ações de seu mandato e o apoio destinado à área da saúde e a programas sociais, mencionando atendimentos e cirurgias realizados com recursos destinados durante sua atuação parlamentar.
O discurso terminou justamente com uma referência à escolha política que Eli procurou reforçar ao longo da campanha.“Cada um oferece o que pode, respeito a todos e fiz uma escolha interessante, peguei o 22, coloquei no coração e comecei dizendo que o país precisa de libertação”, declarou.
A referência ao número 22 reforça o alinhamento de Eli Borges com Flávio Bolsonaro, candidato que sua campanha apoia para a Presidência. No material oficial da candidatura, a associação entre os dois é apresentada diretamente ao eleitor: Flávio Bolsonaro, número 22, para presidente; Eli Borges, número 100, para o Senado.
Uma candidatura assumidamente à direita
A estratégia adotada por Eli na reta final também procura ampliar sua presença para além do eleitorado evangélico, segmento no qual construiu parte importante de sua trajetória política. Integrantes da campanha passaram a apostar mais fortemente na identificação com a direita e nas pautas conservadoras para alcançar eleitores que não necessariamente pertencem à sua base religiosa tradicional.
Ao longo da disputa, Eli recebeu manifestações de apoio de nomes nacionais ligados à direita e ao conservadorismo. Paralelamente, uma parcela da militância bolsonarista tocantinense também passou a demonstrar maior identificação com sua candidatura.
Assim, Eli Borges chega ao domingo de eleição apresentando ao eleitor tocantinense uma escolha política claramente definida. De um lado, reivindica sua experiência acumulada em mais de três décadas de vida pública e sua atuação parlamentar; de outro, coloca sua identidade conservadora e sua oposição ao governo Lula no centro da candidatura.
No próximo domingo, 4 de outubro, caberá aos eleitores do Tocantins decidir nas urnas quais nomes ocuparão as duas vagas do estado no Senado Federal e qual projeto político receberá seu apoio para a Presidência da República.
PANORAMA POLÍTICO
Por Edson Rodrigues e Edivaldo Rodrigues
Às vésperas das eleições de 2026, muitos candidatos proporcionais e majoritários se lançaram na disputa embalados por pesquisas de intenção de votos e planilhas que, em grande parte, não refletem a realidade. A falta de humildade e a crença de que dinheiro e números artificiais garantem vitória podem resultar em surpresas desagradáveis. Grande parte dessas candidaturas se isolou em bolhas onde todas as notícias eram positivas, ignorando vozes críticas e a realidade das ruas.
PESQUISAS E O TRACKING

O uso indiscriminado de medições diárias de intenção de votos, chamados de tracking (em vez de entrevistar milhares de pessoas de uma só vez, o instituto entrevista um grupo menor de participantes todos os dias (por exemplo, 300 a 400 entrevistas por dia ). Geralmente, os trackings são contratados privadamente por partidos e coordenações de campanha para ajustar discursos e estratégias de última hora. Por isso, a maior parte deles não foi divulgada ao público), se multiplicou como praga no processo sucessório. Embora existam profissionais sérios e institutos respeitados, muitos resultados foram moldados para agradar candidatos, criando cenários irreais. Separar o joio do trigo tornou-se tarefa quase impossível, e os justos acabam pagando pelos pecadores. A crença de que liderar pesquisas e investir milhões em campanhas comprando apoios resolveria tudo não combinou com os eleitores.
A REALIDADE DAS DÍVIDAS

Os números mostram um Tocantins marcado pelo endividamento e pela fragilidade financeira da população. Segundo levantamento, 82,7% das famílias estão endividadas, acima da média nacional de 81,6%. Destas, 31% têm contas em atraso e 7,6% simplesmente não conseguem pagar suas dívidas. No Serasa, mais de 668 mil pessoas estão negativadas, representando 57,12% da população adulta.
As principais dívidas vêm de bancos e cartões (27,3%), financeiras (18%), varejo (16,4%) e contas de serviços (14%). Esse cenário revela uma população sufocada por compromissos financeiros, que dificilmente se deixa seduzir por promessas políticas vazias.
Entre os servidores públicos, a situação também é preocupante: 70% possuem empréstimo consignado ativo, com valor médio de R$ 6.984, prazo médio de 18 meses e margem consignável de 35%. Embora a inadimplência entre servidores seja relativamente baixa (2,6%), o alto índice de endividamento mostra que até quem tem estabilidade recorre ao crédito para sobreviver.
SILÊNCIO QUE FALA ALTO
Nos últimos dias, o silêncio das ruas tem chamado atenção. Fora das bolhas políticas, a massa de trabalhadores endividados, desempregados, profissionais liberais e servidores públicos estaduais e municipais demonstra um comportamento estranho: não há entusiasmo, não há engajamento. Esse silêncio pode se traduzir em um resultado fúnebre para candidaturas que terceirizaram suas campanhas, confiando em acordos secretos com prefeitos e vereadores, mas esquecendo que o voto é individual e secreto.
VOTO LIVRE E CONSCIENTE

No próximo dia 4 de outubro, o eleitor tocantinense terá a oportunidade de mostrar que não se vende por promessas ou acordos de bastidores. O voto é livre e secreto. É preciso votar com consciência, inclusive nas duas vagas ao Senado. O eleitor deve lembrar que sua escolha não pode ser negociada por líderes que recebem benefícios, mas não repassam nada à população que realmente precisa.
Senador faz balanço da campanha, agradece a acolhida dos tocantinenses e destaca parceria com Dorinha e Wanderlei para o estado continuar avançando
Da Assessoria
O senador Eduardo Gomes (PL-TO) dedicou seu último programa eleitoral a agradecer a acolhida dos tocantinenses, fazer um balanço da campanha e apresentar as prioridades para o futuro do estado.
Ao recordar as últimas semanas, Eduardo destacou os encontros com a população em todas as regiões e agradeceu a confiança recebida ao longo de sua trajetória. O senador também ressaltou um dos principais pilares de sua atuação: o trabalho presente nos 139 municípios do Tocantins.
“Foram semanas olhando nos olhos das pessoas, percorrendo o nosso estado e falando sobre aquilo que realmente importa: o futuro do Tocantins. Só tenho a agradecer por cada abraço, cada palavra de carinho e por toda a confiança que recebi”, afirmou.
No programa, Eduardo também apresentou as prioridades para um novo mandato no Senado. Entre os compromissos estão fortalecer a rede hospitalar e reduzir as filas da saúde; preparar os jovens para as novas profissões; apoiar quem produz; ampliar a infraestrutura e a conectividade; atrair investimentos; gerar empregos e oportunidades; e levar desenvolvimento a todas as regiões do estado.
“O Tocantins cresceu e agora precisa olhar para a frente. Não é hora de arriscar. É tempo de avançar e construir um futuro seguro. Um Tocantins mais moderno, mais conectado, com saúde melhor, oportunidade para os nossos jovens e desenvolvimento chegando a cada região”, destacou Eduardo.
O senador reforçou ainda a parceria com Professora Dorinha para o Governo do Estado e o apoio do governador Wanderlei Barbosa. A aliança entre Eduardo e Dorinha é apresentada pela campanha como parte da estratégia para fortalecer a articulação entre o Tocantins e Brasília.
No encerramento, Eduardo pediu a confiança dos tocantinenses para continuar representando o estado no Senado e ampliar o trabalho desenvolvido nos municípios.
“Quero continuar usando minha experiência, minha força em Brasília e, acima de tudo, meu amor pelo Tocantins para fazer muito mais. É Dorinha no Governo e Eduardo no Senado. Eduardo Gomes, 222. Pro Tocantins seguir gigante.”
Emissora diz que mudanças determinadas poucas horas antes do programa criaram insegurança jurídica sobre as regras do confronto
Com SBT
O último debate presidencial antes do primeiro turno não será realizado. A Globo anunciou o cancelamento do programa previsto para a noite desta quinta-feira (1º) depois que duas decisões judiciais alteraram, poucas horas antes do confronto, regras consideradas centrais para a organização do evento. A emissora alegou que já não havia segurança jurídica para manter o formato acertado.
Uma das determinações partiu da ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral, após pedido da coligação de Lula (PT). A decisão invalidou a regra que previa manter no cenário o púlpito identificado de um candidato ausente e permitir que os participantes formulassem perguntas a ele. Com isso, a Globo ficou impedida de exibir o púlpito com o nome de Lula e de reservar perguntas destinadas ao presidente.
A segunda mudança veio do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, que determinou a inclusão de Renan Santos (Missão) no debate após pedido do Solidariedade. Pelas regras eleitorais aplicadas inicialmente pela emissora, a participação obrigatória alcançava candidatos de partidos com pelo menos cinco parlamentares no Congresso. O Missão possui apenas um.
O cenário já havia sofrido outra alteração na terça-feira (29), quando Kassio Nunes Marques decidiu que Romeu Zema (Novo) também teria direito de participar. Inicialmente, a Globo havia convidado Augusto Cury (Avante), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD) e Lula (PT), seguindo o critério de representação parlamentar.
Ao anunciar o cancelamento, a Globo classificou as intervenções judiciais de última hora como uma interferência indevida na liberdade das empresas jornalísticas para organizar debates eleitorais. A emissora afirmou que sua intenção era permitir a comparação de propostas entre os candidatos, mas concluiu que as mudanças sucessivas inviabilizaram a realização do programa nos termos planejados.